O que aprendi (até aqui) com minha transição?

O que tenho aprendido com minha transição profissional boa leitura : )

#impactonaencruzilhada


Há uma semana me desliguei de uma posição profissional de 10 anos e assumi um novo desafio. Pra quem não viu, segue minha carta de despedida.

O mais interessante é perceber as várias fichas que foram caindo (e ainda estão) durante este intenso processo. Compartilho a seguir alguns insights até este momento:

1. Medo da mudança

Sair da zona de conforto em tempos de pandemia e de crise é tarefa ainda mais desafiadora mas pode trazer ricos aprendizados. Obviamente, o ideal é fazer isso de forma planejada ao invés do ‘deixa a vida te levar’. Do meu lado, não saí ‘na louca’, e tentei planejar, dentro do possível, essa situação.

O ponto aqui é o quanto o medo de sair da zona de conforto (temático, setorial, institucional) pode te distanciar de novos voos e desafios profissionais. É o famoso chavão do futebol: ‘o medo de perder tira sua vontade de ganhar’.

2. A importância da passagem de bastão

Pra quem está saindo e pra quem está chegando, esse processo é fundamental, ainda que muitas vezes ele não consiga ser feito de forma adequada (por falta de tempo, de compromisso, de clima, etc).

A meu ver, três aspectos são fundamentais aqui:

  • confiança
  • organização
  • tempo

Como fazer um onboarding adequado quando não se tem confiança na pessoa que está chegando? (Não foi meu caso).

Como fazer uma boa passagem de bastão quando se é/está desorganizado(a)? Bolas quadradas quicarão sobre a mesa e vão explicitar o quanto a organização tem problemas na sua ‘cozinha’.

E quando não se tem tempo disponível? Talvez seja uma situação comum. Aqui, criatividade e boa preparação (materiais, resumos, roteiros, etc) pode ser chave e otimizar tempo. O problema é que muitas vezes o fator tempo é usado como desculpa para que o processo de passagem de bastão seja feito ‘nas coxas’, infelizmente.

3. Amizades e conveniências

Em nossa trajetória profissional vamos construindo colegas e amigos. O ponto aqui é o quanto nossa posição institucional (nossos cargos, nossas relações profissionais, nossos chapéus institucionais) é institucional e não pessoal. Em outras palavras:

  • as pessoas se aproximam de você menos por você (pela sua amizade, pelo que você representa como pessoa, etc) e mais pelo o que você representa em termos institucionais. É o famoso: ‘é o fulano da organização tal’.
  • No final das contas, adquirimos e perdemos sobrenomes institucionais que, no final das contas são eles que nos tornam ‘alvos’ mais ou menos ‘sexys’ (do ponto de vista profissional e institucional).

Portanto, em momentos de transição, muitas fichas caem neste sentido. Fica mais nítido quem está interessado em sua situação pessoal (empatia) e quem está interessado em seu chapéu institucional.

De onde menos se espera, boas e más revelações emergem a olhos vistos. Pessoas que você considerava ‘amigas’ deixam transparecer outros interesses e vice-versa.

4. Tempo ao tempo

Saídas e chegadas precisam de tempo pra que todas as peças comecem a se encaixar, para que o ‘novo’ seja compreendido (novas equipes e parceiros, novos processos, novo modus operandi, etc).

Portanto, muita calma nessa hora. É preciso boa capacidade para lidar com ansiedade e a necessidade de entregas de curto prazo, pra evitar queimar a largada neste novo desafio. Há sempre nuances e histórias que você precisará de tempo, de convivência, de muitos cafezinhos e diálogos para compreender. Aqui não há mágica de ‘aceleração’. Obviamente, a situação de pandemia traz novos desafios neste sentido.

5. Virar a chave

Pra se conectar ao novo desafio e ao seu ambiente institucional é fundamental se desligar pra valer do antigo vínculo institucional. É preciso deixar o ‘velho’ pelo caminho para abrir-se, de fato, ao novo. Sem demérito com o ‘velho’, apenas como uma aplicação prática daquela lei da física de que ‘dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço no mesmo tempo’. É mais ou menos isso que quero dizer. Se desligue pra valer de onde você está saindo pra abrir-se para o novo.

Aqui falo de tudo que possa dividir seu foco e sua energia com o vínculo antigo, tais como grupos de zap, emails, conversas e referências, etc. Assim, você naturalmente cria condições para acolher de forma mais plena o novo desafio (e o seu ‘pacote’, no bom sentido).

6. O que trazer na bagagem

Embora seja preciso virar a chave para o novo desafio, isso não significa deletar todo este passado. Há vários aprendizados e lembranças que devem ser trazidas na bagagem. Não só em termos de experiência de vida como também como repertório profissional.

Portanto, é preciso saber definir bem o que trazer e o que deixar. Boas lembranças, amizades e pessoas queridas, relacionamentos profissionais profícuos, aprendizados, etc.

Outro ponto central aqui é explicitar o que não trazer na bagagem: influências, interferências e inimizades do passado. Isso fica lá atrás, como experiência de vida.

Espero que essas reflexões possam servir a outros profissionais em suas transições!

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