Segue em alta, ao menos no discurso, o interesse em fomentar ecossistemas locais e regionais de impacto social. Já era tempo.

E tantos de nós que estamos distantes do eixo RJ-SP (estou no centro-oeste, atuando com a amazônia e escrevendo esse texto para o Impacta Nordeste, curioso não?) nos equivocamos em ficar esperando por orientação, suprimentos e recursos vindos do Eixo para nutrir tantos de nós (profissionais e organizações) rumo ao tal fortalecimento de ecossistemas locais e regionais.

Mas é justamente aí que, penso eu, temos vacilado. Nosso erro tem sido na postura passiva de esperar que o centro do ecossistema (o Eixo) nos diga o que e como fazer pelas bandas de cá.

Já abordei esse tema no meu último livro, Inovação social em tempos de soluções de mercado, e percebo que cada vez essa ficha tem caído em tantos de nós que atuamos fora (e apesar) do Eixo. Refiro-me à ficha de não precisar esperar por validação, reconhecimento ou, como costumo brincar, pelo alvará de construção de nossos próprios ecossistemas locais e regionais. Afinal, somos nós que estamos/atuamos nesses territórios e cabe à nós a iniciativa para seu fortalecimento.

Soa radical demais? Talvez pra alguns sim. Afinal, é fundamental nutrir conexões com organizações chaves/nacionais do ecossistema de impacto. Pois bem, uma coisa é conseguirmos estabelecer conexões e pontes com essas organizações, outra coisa é esperarmos que elas validem o nosso trabalho. É nisso que insisto aqui: no nosso equívoco de esperar por esta validação simbólica/político-institucional.

Nosso trabalho só tem sentido com essa validação? Nosso trabalho depende dessa validação? Ela altera substancialmente nossa atuação local/regional?

Sem essa validação do ‘nacional’, corremos o risco de sermos boicotados; de ter nossas práticas invibilizadas?

Ora, nossa atuação local/regional já não tem sido assim desde sempre? Ainda não nos demos conta da nossa atuação invibilizada e marginal? Repare nos cases de sucesso e nas boas histórias do campo do impacto? De onde elas vêm?

Sim, há exceções (viva!), mas elas seguem sendo exceções que nos fazem seguir acreditando em nosso potencial local/regional e nos fazem retroalimentar nossa auto-estima às vezes mais, às vezes nem tão cheia assim.

E pra fechar, lembro que a região Nordeste está bem melhor nessa foto ecossistêmica que a centro-oeste, onde estou. Se isso serve de alento, seguimos sendo a última região nos indicadores do setor – com menos negócios de impacto, com menor % de investimento social, etc. A despeito de termos iniciativas interessantes rolando em determinadas cidades de nossas regiões (Nordeste, Centro-oeste, Norte…), seguimos tentando encontrar um espaço acima da linha do radar (para os olhos do centro do ecossistema) como regiões.

Como podemos notar, a jornada é longa e desafiadora. Afinal, quem disse que seria fácil?

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Publicado originalmente aqui.

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